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Diferenças na forma de enlutamento

Apoio à Família - 21/07/2016

Diferenças na forma de enlutamento

Em uma família onde as pessoas sofrem pela perda de um mesmo ente querido é normal membros desta família manifestarem seu luto de formas diferentes, ainda que estejam sofrendo pela dor da perda de uma mesma pessoa. Entender as diferentes formas de sofrimento é muito importante para o convívio familiar e principalmente para elaboração da perda. Um casal que perde um filho, por exemplo, provavelmente irão reagir de formas diferentes, o recurso que uma pessoa utiliza para passar pelo luto não tem que ser obrigatoriamente usado pelo outro, ou seja, a mãe algumas vezes precisa ficar um pouco mais quieta, recolhida no início do luto e já o pai percebe que precisa trabalhar para dar conta deste momento, essas são formas diferentes de lidar com a mesma dor, o que não quer dizer que uma pessoa sofra mais ou menos que a outra. Essas diferenças em alguns casos são difíceis de ser entendidas pela família e fazem com que os membros comecem a questionar a forma de sofrimento do outro, surgem perguntas, como: "Nossa! Como assim, ele acabou de perder o filho e já quer trabalhar? Já quer sair, será que ele não esta sofrendo como eu estou sofrendo? Será que ele não esta sentindo nada?" Tais questionamentos acabam por afastar os familiares, o que resulta em um sentimento de solidão e desamparo que dificultam ainda mais o processo de luto. O casal, a família, devem conversar sobre as formas de cada um passar por este momento, as famílias precisam aceitar as diferenças de posicionamento diante da perda, não há certo e nem errado, há o que é coerente para cada um. Se entendermos essas diferenças a família tem grandes possibilidades de vivenciar o processo de luto de uma forma mais harmônica. Portanto, o importante é entender que não existe uma forma melhor que outra, neste momento doloroso não se deve existir julgamentos e cobranças e sim apoio mútuo entre os integrantes da família. O enlutado deve se sentir acolhido e nunca invadido por julgamentos e críticas que nada o ajudam.

Nágela G. Caires Sousa

Psicóloga - CRP: 04/35084


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